quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Resenha Crítica sobre o Filme: "Como Estrelas Na Terra"

Hello Bloggers!!!
Como vocês estão?

   Na minha segunda postagem aqui no blog trago uma resenha crítica do filme "Como Estrelas na Terra" de 2007, que nos apresenta uma abordagem digna de reflexão a respeito da inclusão de crianças especiais no âmbito escolar. O mais legal é que esse filme está disponível na Netflix, ebaaaa!!!


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Capa do DVD lançado em 2007 no Brasil

   O filme retrata a história do menino Ishaan e sua trajetória escolar conturbada devido ao que vem à ser problemas intelectuais e de socialização. O filme nos leva a refletir sobre o papel do professor no desenvolvimento intelectual deste aluno, assim, como oferece uma reflexão acerca dos padrões tradicionalistas e massificadores de ensino que não levam em consideração as dificuldades cognitivas, emocionais ou sociais enfrentadas pelos alunos.  Por apresentar uma deficiência cognitiva (dislexia) na qual não é levada em conta pelos os professores da escola, Ishaan começa a passar por um sofrimento devido a sua “falta querer aprender”, sendo totalmente contrário ao seu irmão (comparado várias vezes).    



 Presenciamos a família de Ishaan totalmente a mercê de um sistema controlado, onde o pai trabalha constantemente, a mãe possui suas tarefas em casa e o irmão estuda assiduamente tendo que ter bons resultados, sendo assim, diferente ao mundo que Ishaan vive, onde presenciamos claramente a calma do seu mundo interior, no qual é sem perturbações e muito lúdico. Diante os constantes problemas em casa e na instituição, Ishaan acaba sendo mandado para um colégio interno como castigo pela falta de dedicação e esforço aos estudos, já que, de acordo com as professoras, seus erros e indisciplina são “de propósito”.  Neste momento, Ishaan sofre  um  retrocesso,  se  antes  mesmo  com  toda  a  dureza  da  escola  anterior  ele  era  animado  e  inspirado  para  desenhar,   nesta  nova instituição  o  mesmo  sente  o  abandono  da  família  e  anestesiado  diante  as  humilhações vivenciadas.  Isso só muda ao conhecer um novo professor, mais sensível a situação e percebendo a dislexia do garoto começa a abordar o seu aprendizado com outras perspectivas; desenvolvendo assim o conhecimento de Ishaan.Imagem relacionada  

    Independente do filme se passar na Índia, podemos perceber o quanto estamos enraizados a este sistema massificador, onde temos que estar sempre mostrando resultados, e devido a este, crianças como Ishaan passam despercebidas, pois não se encaixam  neste  modelo. A realidade é que nosso sistema educacional está carente de professores como este, que ajude assim, trazendo à tona a necessidade de ampliar o conhecimento acerca destes padrões mencionados que excluem certos alunos.

    Esse filme traz uma mensagem sobre o verdadeiro papel do educador na formação de um indivíduo. O título já nos leva a refletir sobre a diversidade dentro de uma sala de aula, e que devemos compreender que cada um aprende de forma diferente, porque cada pessoa é diferente. O filme também deixa a reflexão sobre questões do âmbito escolar desde a gestão escolar até a prática pedagógica do professor, dessa forma fica claro que o educador não deve negligenciar nenhuma realidade.  A crítica do filme vai para além da escolar e parte para realidade familiar, onde demonstra claramente que a família não estimulava e apoiava os professores que não sabiam trabalhar com a diversidade em sala de aula e não procurava entender as especificidades dos seus alunos.  Contudo, tal realidade nos leva a refletir sobre a aceitação e respeito ao outro. 

Imagem relacionada
    No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96) define a educação especial como uma modalidade a ser ofertada preferencialmente na rede regular de ensino, porém, apesar dos avanços na legislação e das políticas públicas, o desafio da inclusão dos estudantes com necessidades educacionais especiais ainda persiste no país.


    As pessoas com deficiência têm o direito de usufruir dos bens sociais, como a educação, assim como qualquer outro cidadão. Já que a educação é e deve ser vista como um direito de todos, um sistema educacional inclusivo deve garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os alunos. No entanto, para a real inserção das pessoas com deficiência e necessidades educacionais especiais, no contexto escolar, são necessárias a definição e a execução de políticas públicas que tragam regulamentações, ações, orientações e que garantam investimentos para a educação especial numa perspectiva inclusiva.


Sintam-se a vontade de trazer o seu posicionamento aqui nos comentários.


   Obrigada e bom café!!!


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Trabalho Livre x Trabalho Escravo no Final do Período Imperial Brasileiro: Tinha diferença?


  
Hello Bloggers!!
Como vocês estão?

   Como postagem inicial do Blog trago uma discussão sobre o trabalho livre iniciado no período imperial do Brasil como forma de suprir a escassez de mão-de-obra escrava devido a proibição do tráfico negreiro e o encarecimento desse comércio. Como base dessa discussão usarei trechos do livro Memórias De Um Colono (1850) de Thomas Davatz, publicado em 1941.

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Foto da fazenda Ibicaba (Limeira-SP) restaurada
e visitada como ponto  turístico na região.
"Escapava-lhe uma noção rigorosamente precisa e objetiva dos direitos e deveres que implica o regime do trabalho livre, em princípio menos orgânico e psicologicamente menos sentimental do que o da escravidão." (DAVATZ, 1941, p. 27)

   A imigração em São Paulo, segundo Sérgio Buarque de Holanda, que escreveu o prefácio do livro, diz que "foi a repressão ao tráfico e o consequente encarecimento do escravo que estimularam a imigração. Não houve colonização mas importação de braços. Não se procurou, no princípio, colonizar, mas substituir o braço escravo pelo imigrante". A Fazenda Ibicaba, propriedade do Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, ao longo do século XIX foi alvo de estudos que enfocaram a experiência com o sistema de parceria que ela abrigou. Tá, mas o que é um Sistema de Parceria?

   Na substituição de mão-de-obra escrava a empresa "Vergueiro e Companhia" recrutava imigrantes europeus, financiava a viagem e o imigrante tinha que quitar sua dívida trabalhando por, pelo menos, quatro anos. A cada família cabia um número determinado de pés de café que pudesse cultivar, colher e beneficiar, além de roças para o plantio de mantimentos. O produto da venda do café era partido entre colono e fazendeiro, devendo prevalecer o mesmo princípio para sobras de mantimentos que o colono viesse a vender. Esses contratos ficavam conhecidos como "Sistema de Parceria". Tal sistema foi adotado por diversas fazendas pelo Brasil como forma de organizar o trabalho agrário. Tá, mas o que mudou?

Foto de algumas das máquinas manuais
para benefício de grãos de café existentes
na Fazenda Ibicaba (Limeira - SP)
   Os imigrantes, além de exercerem grande influência cultural, contribuíram com novas técnicas de produção: - utilização de arado na plantação de café, eixo móvel para carroças e demais utensílios agrícolas. A oficina de Ibicaba fornecia máquinas e instrumentos para a região posto que muitos imigrantes não tinham vocação agrícola, mas eram excelentes artesãos. 

    A fazenda Ibicaba era autossuficiente, dentro de suas demarcações existia escola, igreja, casa de máquinas, torre do relógio, senzalas, casebres onde pequenas famílias de imigrantes moravam, casa-grande, um comércio local de produtos diversificados cultivados na própria fazenda para consumo dos que ali habitavam,etc. Tá, mas o que isso implicava no aspecto social dos trabalhadores da Fazenda Ibicaba?

   Nessa "troca" da mão-de-obra escrava para a de trabalho livre - Sistema de Parcerias - imigrantes e escravos dividiam as mesmas funções no trabalho da fazenda, tanto que, na década de 1880, Ibicaba contava já com 400 escravos, dividindo as tarefas produtivas com as famílias de colonos remanescentes.
  
 
Foto das dependências da fazenda Ibicaba
(Limeira-SP) restaurada 
e visitada
como ponto  turístico na região.
Todos esses números mostram que esteve longe de ser desprezível a quantidade de cativos na fazenda, o que acarretou uma constante preocupação quanto ao controle desses trabalhadores. Tá, mas, como reger escravos e trabalhadores livres no mesmo ambiente? As normas e punições eram as mesmas?

   No regime de trabalho escravo, a jornada de trabalho e o esforço físico do trabalhador eram crua e diretamente regulados pelo lucro do fazendeiro de forma cativa, já com o trabalhador livre que, sendo juridicamente igual a seu patrão, dependia de outros mecanismos de coerção para ceder a outrem a sua capacidade de trabalho. Resumidamente, o ciclo escravo baseava-se em traficar, confinar e punir; e o do colono era contratar, vigiar e reprimir. 
   
   Aqui lanço uma questão à ser pensada criticamente: AO ENTENDERMOS TAL FUNCIONAMENTO DE UMA FAZENDA CAFEEIRA, EXEMPLIFICADA PELA FAZENDA IBICABA, PODEMOS AFIRMAR QUE O ESCRAVO ERA DIFERENTE DO COLONO IMIGRANTE? SERÁ QUE AQUELE QUE ERA CONTRATADO E TRAZIDO DA EUROPA TERIA MAIS "BENEFÍCIOS" DO QUE AQUELE QUE HAVIA SIDO TRAFICADO DA ÁFRICA? OU TAIS CONDIÇÕES SE ASSIMILAVAM EM VÁRIOS ASPECTOS?

   Sintam-se a vontade de trazer o seu posicionamento aqui nos comentários.

   Obrigada e bom café!!!
   


*Para completar a discussão ouça o PodCast "Dívida Histórica? Cotas pra quê?" no link:


*LINK DA OBRA COMPLETA DE DAVATZ:

https://imigracaohistoricablog.files.wordpress.com/2018/03/davatz-thomas-memc3b3rias-de-um-colono-no-brasil-1850.pdf

*LINK DO SITE OFICIAL DA FAZENDA IBICABA: