segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Gastronomia Dos Orixás: Um Prato Cheio de Cultura Afro-Brasileira Oferecido pelas Mulheres

Hello Bloggers!!!
Como vocês estão?

    Hoje trago pra vocês uma breve pesquisa de como as práticas culturais africanas foram decisivas para os sabores encontrados hoje na gastronomia de vários estados brasileiros. E aqui, explanarei sobre a presença da culinária africana no Brasil e suas ressignificações através da presença majoritária da mulher negra, e como essas mulheres usaram-se desse setor para colocar-se no mercado de trabalho e trazer o sustento para a sua família.


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    A partir das vivências e religiosidades africanas a culinária afro-brasileira utilizou elementos religiosos de matrizes africanas para criar e ressignificar alimentos, temperos, técnicas de preparo e hábitos alimentares como possibilidades de símbolos identitários, fonte de renda, ofício e profissionalização que permitem a preservação dos cultos religiosos e a autonomia financeira de muitas mulheres negras.

    O Brasil é, literalmente, um prato cheio àqueles que desejam desbravar a cultura por meio de seus sabores. Afinal, comer é também um ato social e a comida revela os hábitos e a identidade do povo de cada região. Também, a comensalidade é um ato carregado de simbologia e de extrema importância na cultura africana que foi transmitida para a cultura afro-brasileira.

   Significado de Comensalidade:
A COMENSALIDADE acompanha a sociedade há 
anos. Derivado do latim – "mensa" –, o termo 
    significa conviver à mesa, que envolve não 
    somente o padrão alimentar e o que se come, 
    mas principalmente o modo como se come.

     A Bahia, denominada "África negra" por conter o maior contingente de pessoas negras, fruto da desumana diáspora africana, apresenta, também, mais fortemente a presença dessas heranças culturais que emergem das vestuários, estética, linguagem e na culinária e por isso uma:

Viagem a Bahia é sinônimo de comilança. O principal aperitivo é o bolinho que ficou conhecido em todo o Brasil. Quem já não ouviu falar no famoso acarajé? Turista que vem à Bahia e não prova o delicioso bolinho de feijão frito no dendê está perdendo a chance de experimentar a iguaria mais típica do estado. (PORTAL GELEDÉS, 2011)

    Baseando-se em pesquisas históricas já realizadas (SOARES, 1996), as negras de ganho também denominadas negras ganhadeiras e/ou vendedeiras exerciam o comércio nas cidades do Brasil colonial e que, com o seu trabalho, com as suas iguarias, obtinham bons lucros para seus senhores e suas senhoras tornando-se valiosas e aumentando o seu custo de venda no mercado escravagista. Muitas dessas negras ganhadeiras percorriam a cidade vendendo as comidas de orixás.

    Desde séculos passados, praticavam esse ofício, saber aprendido dentro dos espaços religiosos e que também eram praticados para ganhar dinheiro. As mulheres negras, "as ganhadeiras", carregavam em seus tabuleiros a força e a coragem que caracterizam o empreendedorismo e com obstinação comercial conseguiam ultrapassar obstáculos de toda sorte e, muitas vezes, obtinham não só o suficiente para pagar a seus proprietários, mas também serviam para comprar a sua liberdade, com a aquisição da própria Carta de Alforria. 

Baiana do Acarajé
IPHAN - Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional
     Comer acarajé, abará, mungunzá, mingau de tapioca, bolinho de estudante, arroz doce, vatapá, caruru, farofa, moqueca com pimenta e dendê faz parte da cultura afro-baiana. O acarajé enquanto símbolo da cultura afro-brasileira foi tombado, desde 2004 alçando o status de bem imaterial, registrado no "Livro dos Saberes" do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. 

    A resistência das baianas de acarajé materializa-se, inclusive na defesa do vocábulo Acarajé, revelando o cunho religioso desse saber e a importância da preservação da cultura africana e afro-brasileira, pois o acarajé é uma comida de orixá, comida sagrada dedicada às yabás Iansã/Oyá (Candomblé de Ketu) e Kaiongo (Candomblé de Angola).

    Assim, as mulheres negras ao defenderem o seu ofício de baiana de acarajé, defendem as suas próprias referências culturais e identidades construídas por séculos dentro dos terreiros, das convivências familiares e das ruas.

    Nessa nova ordem social emergente, onde as mulheres negras estão em outro lugar de reivindicações, os mitos religiosos afro-brasileiros podem alicerçar uma lógica de poder, fortalecer identidades fragmentadas e consolidar autoconceitos positivos. E são nas possibilidades de profissionalização que surgem dentro dos terreiros que muitas mulheres fizeram-se ótimas cozinheiras, costureiras, arrumadeiras, babás, merendeiras, comerciantes, cantoras, poetizas, princesas, guerreiras, rainhas.

A cultura, seja na educação ou nas ciências sociais, é mais do que um conceito acadêmico. Ela diz respeito às vivências concretas dos sujeitos, à variabilidade de formas de conceber o mundo, às particularidades e semelhanças construídas pelos seres humanos ao longo do processo histórico e social. (GOMES, 2003, p.75)

    Dentre os pratos de matriz africana que fazem parte da alimentação dos brasileiros, cito aqui:


Feijoada: Um dos pratos mais populares do país, consiste em uma mistura de feijão preto cozido e partes menos nobres do porco como rabo e orelha, além de linguiça e carne seca. Uma das versões propagadas sobre a origem do prato é de que seria uma criação dos escravos, a partir dos ingredientes desprezados pelos seus senhores.
Acarajé: comida típica da Bahia, é feito a partir do bolinho de feijão fradinho preparado de maneira artesanal, na qual o feijão é moído em um pilão de pedra, temperado e posteriormente frito no azeite de dendê fervente. Pode ser cortado ao meio e recheado. Entre os recheios mais comuns estão vatapá, caruru, camarão refogado, pimenta e salada de tomates verde e vermelho com coentro. O nome dessa comida é uma variação linguística dos termos “acará” (bola de fogo) e “jé” (comer), ou seja, “comer bola de fogo”. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas, Oxum e Iansã. O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. 


Vatapá: criado por influência da culinária africana, trazida pelos escravos, é um alimento de consistência cremosa e cuja receita tem variações. Uma das mais comuns, típica da Bahia, é feita à base de camarão seco, pão, leite de coco, amendoim e castanha de caju. O preparo pode variar de estado para estado.


(Clique nas imagens para conferir as receitas!)


    Aqui deixo uma reflexão: O OFÍCIO DAS BAIANAS DE ACARAJÉ TORNOU-SE PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL, EM AGOSTO DE 2005 PELO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN) E É RECONHECIDA COMO UMA PROFISSÃO JÁ REGULAMENTADA DESDE 1998 POR DECRETO MUNICIPAL. 

    A RESISTÊNCIA DAS BAIANAS DE ACARAJÉ FEZ-SE SENTIR FORTEMENTE NA DEFESA DA PROFISSÃO E DA VINCULAÇÃO DESSE SABER À RELIGIÃO DO CANDOMBLÉ, PORÉM AINDA FALTAM POLÍTICAS PÚBLICAS E APOIO ESTATAL PARA A MANUTENÇÃO E CONTINUIDADE DESSA PROFISSÃO. OS DESRESPEITOS ÀS MULHERES NEGRAS E AS DIFICULDADES PARA O SUSTENTOS DAS SUAS FAMÍLIAS E PROFISSIONALIZAÇÃO NÃO SE DISTANCIAM MESMO APÓS SÉCULOS DE HISTÓRIA, QUE COMO OUTRAS NEGRAS DE GANHO DO SÉCULO XIX, NAS RUAS DE SALVADOR TAMBÉM LUTAVAM PELA SUA AUTONOMIA ECONÔMICA E PELO DIREITO DE EXERCER A SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL.


Obrigada e bom café. 


* Para completar a discussão ouça o Podcast: "Mulheres Negras no Mercado de Trabalho: Imersão, Dificuldades e Desigualdade".

https://soundcloud.com/camila-geissler-476096965/mulheres-negras-no-mercado-de?si=1bce006f4a8a4ef3a2c69497ca45e834


* Referências Bibliográficas:

BAIANAS do acarajé. Disponível em http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/58. Acesso em: 09 nov. 2021.

BRASIL. Instituto de Preservação Histórico Nacional. OYÀ DIGITAL. Disponível em http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/2365. Acesso em: 11 nov. 2021.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. 2ª Edição revisada. São Paulo: Brasiliense, 1995.

GOMES, Nilma Lino. Cultura Negra e Educação. Revista Brasileira de Educação, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/XknwKJnzZVFpFWG6MTDJbxc/?lang=pt. Acesso em: 10 nov. 2021.

MIRANDA, Karoline Nascimento. Mulher negra, trabalho e resistência: escravizadas, libertas e profissões no século XIX. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/268353837.pdf. Acesso em: 11 nov. 2021.

PORTAL GELEDÉS. Influência da Cultura Africana na Nossa Alimentação. Disponível em: https://www.geledes.org.br/influencia-da-cultura-africana-na-nossa-alimentacao/. Acesso em: 10 nov. 2021.

SOARES, Cecilia Moreira. As Ganhadeiras: mulher e resistência negra em Salvador no século XIX. In AFRO-ÁSIA, Nº 17, pp. 57-71; Centro de Estudos Afro-Orientais, Bahia, Salvador: EUFBA, 1996.

domingo, 7 de novembro de 2021

Igualdade de Gênero no Espaço Escolar: As meninas usam rosa e os meninos usam azul?

Hello Bloggers!
Como vocês estão?

   Hoje trago pra vocês uma discussão a respeito do tema “Desafios e Possibilidades da Igualdade de Gênero no Espaço Escolar”. Visto que está é uma discussão que está ganhando cada vez mais destaque em nossa sociedade atual.

   Falar em igualdade de gênero vai muito além de que “as meninas usam rosa e os meninos usam azul”. A raiz deste problema começa lá na era Imperial, onde o machismo predominava. Desta forma a escola como principal fonte de educação e conhecimento deve trabalhar a igualdade de gênero, pois se mudarmos a visão de nossas crianças, formaremos adulto mais esclarecidos e menos preconceituosos.


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"Apesar dos avanços nos últimos 20 anos, a violência de gênero na sala de aula e no ambiente escolar permanece invisível. Para lidar com esse problema, os governos e a sociedade civil devem se envolver mais para proteger as crianças e buscar, por meio da educação, a mudança necessária. A violência de gênero relacionada ao ambiente escolar inclui assédio verbal ou sexual, abuso sexual, punição física, além do bullying, que afeta cerca de 246 milhões de meninos e meninas todos os anos" (Unesco, 2015 p. 24).

A definição de gênero se refere as diferenças sexuais, diferenças essas que são hierarquizadas em nossa sociedade. Essa distinção entre feminino e masculino está enraizada na cultura de nossa sociedade a séculos.

Forma parecida de preconceito está presente em comportamentos e práticas que discriminam um sexo ou definem a superioridade de um sobre o outro. É o que acontece, por exemplo, quando as mulheres recebem salários menores mesmo tendo qualificação semelhante ou maior ou são proibidas de votar e estudar, como ainda acontece em alguns países do Oriente Médio. O sexismo, historicamente a favor dos homens, está presente inclusive na nossa língua em que se usa o substantivo masculino quando há referência ao plural ou a ambos os sexos. Refletir sobre essas assimetrias permite combater as relações autoritárias e questionar os padrões de conduta estabelecidos. "Diariamente, a escola é chamada a lidar com situações de discriminação. Dar as respostas adequadas, a fim de evitar a reprodução dessas injustiças, exige preparo". (PADIAL, s.d.).

 

Sexo e gênero aparentam ser sinônimos, mas, na realidade, não têm o mesmo significado.  Sexo significa as diferenças físicas e biológicas entre os membros do sexo masculino e do feminino. As diferenças entre os sexos compreendem tanto as características sexuais principais (o sistema reprodutivo) como as secundárias (musculatura, profundidade de voz, etc.). As características sexuais não variam significativamente entre as diferentes sociedades humanas. Por exemplo, independentemente de país ou cultura, praticamente todas as mulheres, a partir da puberdade, menstruam. Gênero, por outro lado, é um conceito social. É um termo que se refere aos aspectos culturais e sociais associados ao fato de se pertencer ao sexo masculino ou feminino. Diferentemente das características sexuais, que são praticamente imutáveis, as características de gênero podem variar muito de sociedade a sociedade.

Essa desigualdade de gênero é um fenômeno social e cultural em que ocorre uma discriminação entre pessoas devido ao seu gênero, basicamente entre homens e mulheres. Além disso, não é um fenômeno inócuo, já que seu impacto pode ser notado em diferentes planos: trabalhista, social, familiar, escolar, etc. Houve um tempo em que a mulher ocupava uma posição de igualdade e mesmo de superioridade em relação ao homem.

Em um passado remoto as mulheres tinham voz, tanto no campo privado como no público. Mas com o desenrolar da história, e por uma forte influência grega, esse cenário começou a mudar. Movidos pela vontade de dominar a natureza, os homens começaram a destruir a autoestima feminina e excluir as mulheres de atividades públicas.

Olhe ao seu redor. Quantos professores homens trabalham na escola? Quantas são mulheres? No Brasil, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), oito em cada dez docentes da Educação Básica são do sexo feminino. Você já parou para pensar o porquê dessa diferença? A resposta está nos estereótipos de gênero cultural e historicamente construídos, segundo os quais as tarefas de cuidar e ensinar são essencialmente femininas. É desse valor predeterminado - também presente em expressões como "não chore que isso é coisa de mulher" e "futebol é esporte de homem" - que decorre a desigualdade. (PADIAL, s.d.).

Precisamos ter em mente que, não existe apenas a desigualdade entre ambos, mas também a desigualdade de tratamento dos padrões de comportamento esperados e aceitos socialmente por homens e mulheres. Quando seus intérpretes não correspondem aos seus devidos papéis pagam um alto preço por serem diferentes, seja nas atitudes ou na escolha sexual. Ao mesmo tempo em que a escola reproduz preconceitos e estereótipos, ela também produz resistências, novos valores e atitude.

Ao aceitarmos que a construção do gênero é histórica e se faz incessantemente, estamos entendendo que as relações entre homens e mulheres, os discursos e as representações dessas relações estão em constante mudança.

Capa da Revista Nova Escola (Edição 321)

No que diz respeito as leis abordam a identidade de gênero na educação, sabe-se que a pelo menos três décadas elas vem sendo criadas ganhando destaque no cenário nacional. Pois, vemos também a desigualdade de gênero no ambiente escolar. 

As meninas continuam sendo enquadradas em atividades manuais que reforçam a antiga ideia da maternidade, cuidado como o lar, família, etc. Os meninos continuam representando o poder, liderança e inteligência. O governo reconhecendo a importância de se mudar esse paradigma criou várias leis em defesa das mulheres.

Secretarias de Educação e órgãos governamentais ligados ao direito das mulheres e dos homossexuais desenvolvem trabalhos nessa área. A rede municipal de São Paulo tem, a partir deste ano, formação específica para educadores de 13 Diretorias Regionais de Ensino (DRE). Em Pernambuco, a Secretaria da Mulher realiza seminários sobre o tema para os educadores. (PADIAL, s.d.).

O ambiente escolar pode reproduzir imagens negativas e preconceituosas, por exemplo, quando professores relacionam o rendimento de suas alunas ao esforço e ao bom comportamento, ou quando as tratam apenas como esforçadas e quase nunca como potencialmente brilhantes, capazes de ousadia e liderança.

A escola como fonte de conhecimento e formadora de opinião tem por missão ressignificar estes pensamentos arcaicos que estão há muito tempo enraizados na nossa sociedade. Sabemos que a sociedade em que vivemos é uma sociedade onde o machismo está enraizado, e por séculos a mulher foi vista como inferior ao homem. Porém através de muita luta essa concepção aos poucos vem mudando.

Na escola professores devem observar o comportamento de meninos e meninas cobrados pela sociedade e quando o comportamento parece diferente, devemos nos “preocupar” pois isso é indicador de que esses alunos(as) estão apresentando comportamentos diferentes.

Como Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (Clade), temos acompanhado os desafios e os avanços para a garantia da igualdade de gênero e o respeito à diversidade na educação em nossa região e no mundo. Meninas e mulheres são discriminadas durante a educação em termos de acesso, permanência, conclusão, tratamento, resultados de aprendizagem e escolhas de carreira, o que resulta em desvantagens que vão além da escolaridade e do ambiente escolar. A presença de estereótipos de gênero nos currículos, livros didáticos e processos de ensino, a violência que enfrentam dentro e fora da escola, restrições estruturais e ideológicas e a dominação masculina em determinados campos acadêmicos e profissionais são fatores que impedem meninas e mulheres de reivindicar e exercer o direito humano à educação em condições de igualdade. (MUNHOZ, 2018).

        É essencial valorizar a presença e o desempenho femininos na sala de aula, encorajar garotas a participarem de Olimpíadas, torneios ou de grupos de estudo focado. É algo que definitivamente deve ser trabalhado a longo prazo para também transformar a autoestima das garotas.

No tangente das discussões de gênero na escola, a fase da adolescência acaba sendo a mais afetada. Pois, a adolescência é uma etapa em que ocorrem muitas transformações. É a fase em o adolescente precisa formar sua personalidade, se encontrar consigo mesmo e redefinir o seu lugar no mundo e no grupo social no qual vive. Por isto a família e a escola tem um papel muito importante nesta fase. E grande parte do comportamento dos adolescentes são influenciados pelas relações que mantém durante a infância e adolescência. Enquanto ao longo da infância passam a maior parte do tempo com os pais, durante a adolescência os amigos passam a ter um papel essencial na sua vida. Conhecer o tipo de grupo em que o adolescente se encontra inserido e o tipo de comportamentos em que se envolvem poderá facilitar a prevenção dessa desigualdade.

E mesmo com tantos dados e estatísticas expostas de forma clara, ainda há quem não acredite ou aceite que a desigualdade entre gêneros existe, o que torna o trabalho muito mais difícil e ardor. Porém aos poucos a temática vem ganhando cada vez mais força e espaço na sociedade, por isto as lutas não podem cessar. 


Aqui deixo uma reflexão a respeito do tema: A reflexão que podemos fazer disto é que a escola em conjunto com a família precisa trabalhar estas diferenças desde cedo com nossas crianças, a fim de que quando eles chegarem lá na adolescência já tenham essas diferenças bem esclarecidas, e saibam lidar melhor com está fase de amplas mudanças. Além de praticarem o respeito e pregarem a igualdade a todos os gêneros. Teoricamente, é algo simples e fácil de se executar, mas, e para você a temática ainda é um tabu? Você acredita que a Igualdade de Gênero é possível dentro da nossa sociedade atual?


Obrigada e bom café.


* Referências Bibliográficas:

MUNHOZ, Fabíola. Direito à Educação com Igualdade de Gênero. Edição - 137. América Latina. Nov. 2018. Disponível em: https://diplomatique.org.br/direito-a-educacao-com-igualdade-de-genero/>. Acesso em: 19/10/2019
 
PADIAL, Karina. Igualdade de Gênero. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/7889/igualdade-de-genero. Acesso em: 19/10/2019.
 
SOUSA, Adriana Maria de. Et al. Questão de Gênero na Escola e a Influência da Sociedade. Disponível em: https://monografias.brasilescola.uol.com.br/pedagogia/questao-genero-na-escola-influencia-sociedade.htm. Acesso em: 19/10/2019.
 
VIDAINOVADORA. A importância da Família na Adolescência. Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/a-relacao-familia-x-escola-na-adolescencia/74602. Acesso em: 19/10/2019.


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Usos e Significados da Kanga para a Cultura Suahile - Você já ouviu falar das Capulanas?

Hello Bloggers!!
Como vocês estão?

    Hoje trago pra vocês um pouco sobre um traje tradicional do continente africano: a Kanga!

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"O vestuário é palavra, linguagem, pois manifesta significados: uma identidade social e uma individualidade(...). Em suma, o vestuário é o homem, o que ele quer informar como sendo ele"
 Margarida Maria Tadonni Petter (1994)

 

    
     Muito populares nas regiões de predominância da cultura suahile, os panos apareciam nos corpos de mulheres de Zanzibar que vestiam amarrações, conjuntos formados por duas peças, sarongues, entre outros, que além dos desenhos e cores vibrantes, traziam impressos com frases espirituosas e pungentes. Esses tecidos continuam vívidos no cotidiano local e são usados principalmente por mulheres, constituindo-se em forma de expressar filiação política, conflitos de gênero ou mesmo comentários sobre relacionamentos conjugais. 
 Menina suahile vestida
com kanga

     Quando presentes nas regiões de cultura suahile são denominados kanga ou leso (este último está relacionado aos contextos culturais do Quênia); em Moçambique, se popularizou pelo nome capulana. Originados na mistura de culturas do oceano Índico com as culturas locais, podemos considerar que as kangas e capulanas são fortes evidências da influência de variadas partes do litoral do Índico, confluindo Índia, Indonésia e Oriente Médio. A ideia de uma semelhança (no tamanho e na forma de vestir) com os chamados sarongs sugere esta realidade. 

     Frequentemente deparamos com imagens ilustrativas do continente africano marcadas pela presença dos panos, sejam eles de produção manual ou de produção fabril, como as kangas nos mais diversos materiais – do algodão à seda. Embora essa não seja uma exclusividade do continente, a presença dos tecidos no universo cultural africano é algo peculiar. Até mesmo a arquitetura está permeada pelas cores e designs dos tecidos.    

Hausa Traditional Architecture on Twitter:
"Beautiful Dutse Emir's Palace Garu,
Dutse, Jigawa State. (On Twitter)
    
    Cito, como exemplo, as decorações externas de habitações Haussa e a similaridade com os desenhos de formas bordadas em panos (Eicher, 1969, p.86). A visão de um mercado africano, em Acra, Lagos, ou Maputo nos atrai pelo despertar dos sentidos, seja por meio das imagens de mulheres e homens vestidos com panos brilhantes ou incontáveis peças coloridas e estampadas expostas nos mais diversos padrões.

 


  


    Além dessa realidade tátil e visual intensa, há interessantes performances criativas que podemos observar nas formas de manipular, mostrar, vender e comprar. São locais fervilhantes onde os últimos discursos sociais circulam, e os panos de produção industrial são recorrentes nesses universos.

     

     Em um dos lados das bordas da estampa das kangas há, geralmente, um provérbio grafado na língua nativa. As primeiras referências da inclusão dessas formas expressivas nos tecidos datam do início do século XX e diz-se que foram criadas por um antigo comerciante têxtil chamado H.E.Abdullah Kaderdina. Nas culturas africanas, dada a centralidade da tradição oral, os provérbios aparecem como formas importantes de comunicação, atuando como estratégias de discurso e se entrelaçando na vida cotidiana. 


     Há a importância e força da palavra falada, ao mesmo tempo em que o respeito ao silêncio é também de fundamental. As mensagens inseridas nas kangas são jogos de palavras e situações de humor e ironia, geralmente relativos a relações conjugais e entre esposas. São conteúdos que fazem parte do cotidiano local e inerentes a relações públicas ou particulares. Além da capacidade comunicativa, os provérbios também potencializam a venda das peças, dado que as mulheres escolhem suas kangas de acordo com quatro critérios: o provérbio, a qualidade do tecido, a impressão, e finalmente, o design (Hilger, 1995, p. 45).


     Segundo Hilger (1995), o nome kanga deriva do kiswahili e indica um pássaro preto e branco, que constantemente emite sons como um tagarela. A história oral relaciona esses panos à figura da mulher, devido aos designs de pequenos pontos e flores e também dada a semelhança na intensidade da fala, entre o pássaro e a mulher. Estas, por sua vez, guardam os tecidos com zelo e os têm como enxovais e dotes.

Capulanas se transformam em peças
modernas nas mãos do artista plástico Jamgo

     Esses panos, também chamados de capulanas, kangas, lesos, entre outras denominações, adquirem uma identidade que, a respeito das origens, constitui os traços peculiares das culturas locais. Assim, os tecidos adquirem uma identidade específica no local onde fincam terreno: é o caso das capulanas em território moçambicano, tecidos presentes em esferas fundamentais da vida cotidiana – da instituição matrimonial à fúnebre.


     Originados na mistura de culturas do oceano Índico com as culturas locais, podemos considerar que as kangas e capulanas são fortes evidências da influência de variadas partes do litoral do Índico, confluindo Índia, Indonésia e Oriente Médio. A ideia de uma semelhança (no tamanho e na forma de vestir) com os chamados sarongs sugere esta realidade. Segundo Parkin (2005), os designs abstratos e o uso emblemático de figuras de frutas, incluindo abacaxis e peras, assim como produtos como castanhas, apontam para essa comunicação estreita.


Aqui lanço uma questão a ser pensada criticamente: TENDO EM MENTE A INFESTAÇÃO DE GRUPOS E PESSOAS QUE FAZEM USO DE ELEMENTOS DE OUTRAS CULTURAS OU ETNIAS, COMO APROPRIAÇÃO CULTURAL, VOCÊ ACHA CORRETO TAL AÇÃO? VOCÊ ACREDITA QUE SE UMA PESSOA CALCAZIANA VESTIR-SE COM UMA KANGA SUAHILE, ELA ESTÁ HOMENAGEANDO OU SE APOSSANDO DE TAL CUSTUME?


  Sinta-se a vontade para trazer o seu posicionamento aqui nos comentários.


Obrigado e bom café.


* Para completar a discussão ouça o Podcast: "Um Pouco Sobre o Turbante Usado Pelas Sul-africanas e o Seu Sucesso Pelo Globo: Apropriação ou Acessório de Moda?' 

https://soundcloud.app.goo.gl/pcCounLjTKYKajP78


* Referências Bibliográficas:

BISILLIAT, Maureen. África. Moda, cultura e tradição. São Paulo: Empresa das Artes e Editora SENAC. 1993.

BORTOLOZO, Luciana Ferreira. A polêmica sobre a apropriação cultural e a necessidade do debate fora das redes. Consultor Jurídico, publicado em 17 de dezembro de 2016. Disponível em: . Acesso em: 5 jul. 2017.

EICHER, Joanne Bulbolz. African dress – a selected and annotated bibliography of subsaharam countries. Michigan: African Studies Center. Department of Textiles, Clothing and Related Arts , 1969.

GOMES, Nilma Lino. Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Ação Educativa. São Paulo, 2002. Disponível em: . Acesso em: 28 maio 

HILGER, Julia. The kanga: An example of east african textile design. In: Pinton, John. The art of african textiles – technology, tradition and lurex. London: Lund Humphries Publishers, 1995.

SILVA, Luciane da. TRILHAS e Tramas: Percursos insuspeitos dos tecidos industrializados do continente africano A experiência da África oriental. Orientador: Omar Ribeiro Thomaz. 2008. Dissertação de Mestrado (Mestre em Antropologia Social) - Universidade Estadual de Campinas, [S. l.], 12-12-2008.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

A Pergunta de Yali - Livro “Armas, Germes e Aço: os destinos das sociedades humanas” de Jared Diamond

Hello Bloggers!!
Como vocês estão?
 
pergunta que o livro se propõem a responder foi feita a Jared Diamond  por Yalium nativo da Nova Guine,  na década de 70: “Por que vocês, brancos  produzem tanto 'cargo' e trouxeram tudo para a Nova Guiné, mas nós negros, produzimos tão pouco 'cargo'?”.


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O conceito de evolução humana há muito se diferencia ao sistema de desenvolvimento existente na atualidade, sendo a humanidade resultante de diversas transformações em suas concepções ao longo do tempo. O ser humano passou por diversas fases evolutivas nos 13.000 anos após a Era Glacial, mudanças em seu intelecto e atitudes de dominação da natureza que foram desenvolvidas com o passar do tempo em todo o globo. Mas por que existe a crença de que a chegada do branco (europeu) há pouco mais de dois séculos, em outros continentes desconhecidos foi tido como a “colonização do mais forte e desenvolvido sobre o primitivo”?

No trecho analisado no livro de Jared Diamond nota-se o interesse do autor em tentar mudar essa concepção de “branco superior” sobre as sociedades por eles colonizadas. Diamond nos faz questionar o motivo pelo qual os indígenas americanos (Incas e Astecas) que possuíam uma sociedade politicamente organizada foram subjugados pelos espanhóis e não o contrário? Sabemos que um fator determinante dessa conquista foi o manuseio de armas de aço pelo europeu, enquanto, os indígenas e aborígenes de outras regiões usavam a pedra como matéria-prima do seu armamento. A exterminação oriunda do aço sobre pedra e madeira foi eminente, mas como o mundo chegou a aqueles estágios de desenvolvimento tão distintos em 1500? Por que o “branco superior” foi capaz de criar utensílios mais desenvolvidos mais cedo do os outros?

Mesmo que todos os caminhos pareçam levar até a ideia de eurocentrismo e a ”ascensão da civilização”, devemos lembrar de que sociedades oriundas do Japão, por exemplo, detinham os mesmos elementos civilizatórios e que foram importados pela Europa; e o conceito de civilização não significa ser algo verdadeiramente bom e as tribos mais simples sendo algo ruim. As sociedades que se fundamentam na indústria possuem um maior acesso a itens diversos e comércio, porém, as sociedades mais simples tendem a ter uma maior proximidade entre familiares e interação humana. Tornando cada meio social bom ou ruim a sua maneira.

    Ainda que não saibamos a resposta dessa diferença social, muitos estudiosos tentaram responde-la, aqueles que defendem a teoria evolucionista de Darwin ou da seleção natural acabam por instituir o conceito racista de que “os europeus passaram a ser considerados geneticamente mais inteligentes do que os africanos” (DIAMOND, 2008).

Além de essa ideia ser ofensiva, ela torna-se infundada, pois ao tentar avaliar o nível intelectual de um aborígene ou africano o parâmetro usado é o do branco europeu; onde tenta encaixar aquele ser humano com habilidades inatas uteis para o seu meio específico em outro meio completamente novo de desconhecido para ele, como por exemplo, um indígena que passou a vida toda na mata ter que lidar com o transporte urbano de uma capital. Nesse sentido, o indígena não tem o intelecto inferior ao habitante da cidade, ele só desconhece o meio; mas com a prática ele será capaz de lidar com a mesma situação da mesma forma que um habitante desse meio.

Diamond defende que os nativos da Nova Guiné, em específico, não são menos inteligentes do que os ocidentais, mas sim, podem ter se tornado ainda mais inteligente devido a estímulos sociais mais intensos. Sendo que as crianças europeias, ou norte-americanas, passam a maior parte do seu dia envolvida em programas de televisão e redes sociais que não desafiam o intelecto ou o desenvolvem. Já as crianças da Nova Guiné passam o dia fazendo algum tipo de atividade, contribuem com a manutenção do seu meio com tarefas, lidam com embates e situações problemas do cotidiano, contribuindo para que a função mental desses nativos torne-se superior aos outros povos. O autor completa que:

Isso significa que, provavelmente, a capacidade mental do povo da Nova Guiné é geneticamente superior à dos ocidentais, e eles são certamente superiores em sua capacidade de escapar das devastadoras desvantagens do desenvolvimento, sob as quais a maioria das crianças das sociedades industrializadas cresce hoje em dia. (DIAMOND, 2008, P. 21-22)

         Sabendo que essa discussão apresentada no livro de Jared Diamond teve início em uma pergunta simples de papuásio sobre o motivo pelo qual o homem branco europeu produz tanto “cargo” levando para a Nova Guiné, e o nativo produz tão pouco? O termo “cargo” refere-se aos utensílios de viés mais tecnológicos como remédios, espelhos, roupas ou guarda-chuvas. Pergunta simples com uma resposta não tão simples assim, porém extremamente necessária para o rompimento com concepções de cunho racista ainda hoje adotados por grupos dominantes.


LINK DO LIVRO EM PDF: 

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/622169/mod_resource/content/1/Diamond%2C%20Jared%2C%20Armas%2C%20Germes%20e%20A%C3%A7o.pdf


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: DIAMOND, Jared. A Pergunta de Yali. In: DIAMOND, Jared. Armas, Germes e Aço: os destinos das sociedades humanas. 10ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. cap. Prólogo, p. 13-32. ISBN 978-85-01-05600-9.