quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Trabalho Livre x Trabalho Escravo no Final do Período Imperial Brasileiro: Tinha diferença?


  
Hello Bloggers!!
Como vocês estão?

   Como postagem inicial do Blog trago uma discussão sobre o trabalho livre iniciado no período imperial do Brasil como forma de suprir a escassez de mão-de-obra escrava devido a proibição do tráfico negreiro e o encarecimento desse comércio. Como base dessa discussão usarei trechos do livro Memórias De Um Colono (1850) de Thomas Davatz, publicado em 1941.

PEGUEM SUAS XÍCARAS E VENHAM COMIGO!!! 

Clique para Ampliar
Foto da fazenda Ibicaba (Limeira-SP) restaurada
e visitada como ponto  turístico na região.
"Escapava-lhe uma noção rigorosamente precisa e objetiva dos direitos e deveres que implica o regime do trabalho livre, em princípio menos orgânico e psicologicamente menos sentimental do que o da escravidão." (DAVATZ, 1941, p. 27)

   A imigração em São Paulo, segundo Sérgio Buarque de Holanda, que escreveu o prefácio do livro, diz que "foi a repressão ao tráfico e o consequente encarecimento do escravo que estimularam a imigração. Não houve colonização mas importação de braços. Não se procurou, no princípio, colonizar, mas substituir o braço escravo pelo imigrante". A Fazenda Ibicaba, propriedade do Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, ao longo do século XIX foi alvo de estudos que enfocaram a experiência com o sistema de parceria que ela abrigou. Tá, mas o que é um Sistema de Parceria?

   Na substituição de mão-de-obra escrava a empresa "Vergueiro e Companhia" recrutava imigrantes europeus, financiava a viagem e o imigrante tinha que quitar sua dívida trabalhando por, pelo menos, quatro anos. A cada família cabia um número determinado de pés de café que pudesse cultivar, colher e beneficiar, além de roças para o plantio de mantimentos. O produto da venda do café era partido entre colono e fazendeiro, devendo prevalecer o mesmo princípio para sobras de mantimentos que o colono viesse a vender. Esses contratos ficavam conhecidos como "Sistema de Parceria". Tal sistema foi adotado por diversas fazendas pelo Brasil como forma de organizar o trabalho agrário. Tá, mas o que mudou?

Foto de algumas das máquinas manuais
para benefício de grãos de café existentes
na Fazenda Ibicaba (Limeira - SP)
   Os imigrantes, além de exercerem grande influência cultural, contribuíram com novas técnicas de produção: - utilização de arado na plantação de café, eixo móvel para carroças e demais utensílios agrícolas. A oficina de Ibicaba fornecia máquinas e instrumentos para a região posto que muitos imigrantes não tinham vocação agrícola, mas eram excelentes artesãos. 

    A fazenda Ibicaba era autossuficiente, dentro de suas demarcações existia escola, igreja, casa de máquinas, torre do relógio, senzalas, casebres onde pequenas famílias de imigrantes moravam, casa-grande, um comércio local de produtos diversificados cultivados na própria fazenda para consumo dos que ali habitavam,etc. Tá, mas o que isso implicava no aspecto social dos trabalhadores da Fazenda Ibicaba?

   Nessa "troca" da mão-de-obra escrava para a de trabalho livre - Sistema de Parcerias - imigrantes e escravos dividiam as mesmas funções no trabalho da fazenda, tanto que, na década de 1880, Ibicaba contava já com 400 escravos, dividindo as tarefas produtivas com as famílias de colonos remanescentes.
  
 
Foto das dependências da fazenda Ibicaba
(Limeira-SP) restaurada 
e visitada
como ponto  turístico na região.
Todos esses números mostram que esteve longe de ser desprezível a quantidade de cativos na fazenda, o que acarretou uma constante preocupação quanto ao controle desses trabalhadores. Tá, mas, como reger escravos e trabalhadores livres no mesmo ambiente? As normas e punições eram as mesmas?

   No regime de trabalho escravo, a jornada de trabalho e o esforço físico do trabalhador eram crua e diretamente regulados pelo lucro do fazendeiro de forma cativa, já com o trabalhador livre que, sendo juridicamente igual a seu patrão, dependia de outros mecanismos de coerção para ceder a outrem a sua capacidade de trabalho. Resumidamente, o ciclo escravo baseava-se em traficar, confinar e punir; e o do colono era contratar, vigiar e reprimir. 
   
   Aqui lanço uma questão à ser pensada criticamente: AO ENTENDERMOS TAL FUNCIONAMENTO DE UMA FAZENDA CAFEEIRA, EXEMPLIFICADA PELA FAZENDA IBICABA, PODEMOS AFIRMAR QUE O ESCRAVO ERA DIFERENTE DO COLONO IMIGRANTE? SERÁ QUE AQUELE QUE ERA CONTRATADO E TRAZIDO DA EUROPA TERIA MAIS "BENEFÍCIOS" DO QUE AQUELE QUE HAVIA SIDO TRAFICADO DA ÁFRICA? OU TAIS CONDIÇÕES SE ASSIMILAVAM EM VÁRIOS ASPECTOS?

   Sintam-se a vontade de trazer o seu posicionamento aqui nos comentários.

   Obrigada e bom café!!!
   


*Para completar a discussão ouça o PodCast "Dívida Histórica? Cotas pra quê?" no link:


*LINK DA OBRA COMPLETA DE DAVATZ:

https://imigracaohistoricablog.files.wordpress.com/2018/03/davatz-thomas-memc3b3rias-de-um-colono-no-brasil-1850.pdf

*LINK DO SITE OFICIAL DA FAZENDA IBICABA:


Um comentário:

  1. Parabéns Camila Geissler! pela pesquisa concluída, pelo Layout da página, pela leveza do texto e brilhante fala postada em Podcast...

    ResponderExcluir