Hello Bloggers!!
Como vocês estão?
Mais uma postagem
no Blog a respeito dos trechos do livro Memórias De Um Colono (1850) de Thomas
Davatz, publicado em 1941. Nesse momento tratarei da transição do ciclo da
cana-de-açúcar para o ciclo cafeeiro no Brasil. Nada mais ligado ao Blog do que esse
assunto, não é mesmo?
PEGUEM SUAS XÍCARAS E VENHAM COMIGO!!
E, além disso, a imigração já vinha sendo estimulada desde o período colonial, com a chegada da Corte Portuguesa em especial, para ocupar, colonizar e proteger vastos territórios do país considerados ainda inexplorados. Além disso, a passagem da economia do açúcar, que era o primeiro artigo na balança comercial, para a do café, proporcionou um conjunto de circunstâncias que exigiam mudanças rápidas e efetivas no recrutamento da força de trabalho. Tá, mas qual a significância do plantio de café para a economia?
O café foi o principal produto de exportação da economia brasileira durante o século XIX e o início do século XX, teve suas raízes difundidas no século XVII graças a Francisco de Melo Palheta que plantou as primeiras mudas no Pará trazidas da Guiana Francesa, em 1727. O café era uma economia crescente com muita exportação, pois a lavoura cafeeira estava em expansão, e assim muitos camponeses, na esperança de ter aqui seu pedaço de terra, vinham para praticar a agricultura familiar se constituindo em mão-de-obra livre, ingressos no sistema de parceria implantado na fazenda Ibicaba. Tá, mas como se dava esse cultivo e colheita?
O próprio autor do livro afirma que:
Um fator determinante na não manutenção dessa forma de organização foi a insatisfação dos colonos que ali trabalhavam que recebiam menos do que o esperado pelas
colheitas, não tinham condições de pagar as dívidas, além do mais os colonos
suspeitavam dos cálculos das quantidades de gêneros colhidos, e assim trabalhavam
muito, recebiam pouco e deviam bastante, tomando-se um sistema desumano que fugia totalmente do que foi combinado em contrato antes de sua chegada em terras brasileiras. Tá, mas o que resultou essa insatisfação?
Nota-se que Davatz explica o problema com detalhes tentando justificar e comprovar a autenticidade de sua reclamação, característica aliás presente em toda sua produção:
Porém, para o Senador Vergueiro, a lucratividade do café foi animadora e, aos poucos, a cana foi dando lugar a essa cultura. A atividade canavieira perdia espaço e importância na propriedade e o engenho passava a ser reconhecido como unidade que serviria de modelo e incentivo aos proprietários das redondezas a também plantarem o fruto, pois o mercado externo para o café se expandia.
Para iniciarmos a discussão do tema precisamos contextualizar a organização do trabalho no século XIX. A partir do momento em que os suíços chegavam ao Brasil, o
país passava por um momento de transformação, pois com o fim do tráfico
negreiro a necessidade de mão-de-obra seria suprida pelos camponeses europeus,
além da necessidade de técnicas de plantio, produção de ferramentas e
profissões quase inexistentes no país.
E, além disso, a imigração já vinha sendo estimulada desde o período colonial, com a chegada da Corte Portuguesa em especial, para ocupar, colonizar e proteger vastos territórios do país considerados ainda inexplorados. Além disso, a passagem da economia do açúcar, que era o primeiro artigo na balança comercial, para a do café, proporcionou um conjunto de circunstâncias que exigiam mudanças rápidas e efetivas no recrutamento da força de trabalho. Tá, mas qual a significância do plantio de café para a economia?
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| Carregamento do café no porto de Santos: grande parte da produção era exportada |
O café foi o principal produto de exportação da economia brasileira durante o século XIX e o início do século XX, teve suas raízes difundidas no século XVII graças a Francisco de Melo Palheta que plantou as primeiras mudas no Pará trazidas da Guiana Francesa, em 1727. O café era uma economia crescente com muita exportação, pois a lavoura cafeeira estava em expansão, e assim muitos camponeses, na esperança de ter aqui seu pedaço de terra, vinham para praticar a agricultura familiar se constituindo em mão-de-obra livre, ingressos no sistema de parceria implantado na fazenda Ibicaba. Tá, mas como se dava esse cultivo e colheita?
A forma de plantio do café em que a terra ainda não estava preparada, tinham que
fazer queimadas e limpar os cafezais recebidos de má qualidade e em meio a
terreno pedregoso, o pagamento recebido pelo café, a dedução do beneficiamento,
as taxas de transporte, os juros pagos, enfim para Davatz a parceria
representava o que os colonos viviam na prática, um sistema que os espoliava e
que não correspondia ao contrato que o determinava. Tá, mas o que Davatz dizia a respeito?
| Fotos da fazenda Ibicaba (Limeira - SP) atualmente tida como ponto turístico da região. |
“A propósito da colheita do café convém dizer ainda, que além de mãos e dedos hábeis e experimentados, é preciso dispor dos objetos seguintes: lençóis para café (peças de pano ordinário de cerca de quatro côvados e meio de comprimento por três e um quarto de largura), peneiras, cestas capazes de um a um e meio alqueires, e esteiras (trançados de caniços de quarenta a sessenta pés quadrados). Os lençóis de café são estendidos sob a árvore, de modo a receberem as cerejas soltas dos galhos. Dos lençóis o café passa para as peneiras e é libertado então das folhas e gravetos. Depois disso, em outros lençóis, procede-se à seleção, retirando as cerejas verdes que se misturaram às maduras, ou mesmo pedras e outras impurezas. Desses lençóis passam os frutos escolhidos para as cestas onde são conduzidos às esteiras. Estas já se acham estendidas junto ao caminho, sobre um pátio mais ou menos plano. Todo o trabalho, até esse ponto, cabe exclusivamente ao colono” (p. 53).
A fim de melhor expor as dificuldades reclamadas
por Davatz em representação aos colonos, é fundamental citar o próprio
documento, onde ele faz uma relação das queixas dos colonos comparando com o que havia no contrato, como a queixa que está associada a questão do mal pagamento do café e aos colonos se
sentirem lesados.
Nota-se que Davatz explica o problema com detalhes tentando justificar e comprovar a autenticidade de sua reclamação, característica aliás presente em toda sua produção:
”A casa Vergueiro está longe de entregar aos colonos sequer metade do producto liquido da venda do café colhido. Três alqueires de café em cereja, conforme resulta da experiência e do testemunho de outros lavradores, podem dar duas, mas nunca uma arroba de peso, e, no entanto paga-se apenas uma arroba e provavelmente nem isso, pois estamos profundamente convictos, embora sem ter meios de prová-lo, de que os preços estipulados para os colonos são bem inferiores aos que correm no mercado. A casa Vergueiro não fornece nenhum dado comprobatório de sua exactidão nos extractos de conta apresentados" (p. 273)
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| Escravos
em uma fazenda de café no Brasil, fotografia Marc Ferrez (1843-1923) feita em 1885. |
Porém, para o Senador Vergueiro, a lucratividade do café foi animadora e, aos poucos, a cana foi dando lugar a essa cultura. A atividade canavieira perdia espaço e importância na propriedade e o engenho passava a ser reconhecido como unidade que serviria de modelo e incentivo aos proprietários das redondezas a também plantarem o fruto, pois o mercado externo para o café se expandia.
Aqui lanço uma questão a ser pensada criticamente: ESSA NOVA DESCOBERTA, O CULTIVO DE CAFÉ EM GRANDE ESCALA PARA A EXPORTAÇÃO, ERA VIÁVEL AO BRASIL COMO UM TODO OU SOMENTE AOS GRANDES POSSUIDORES DE TERRAS QUE PODERIAM INVESTIR? SERÁ QUE AQUELES QUE TRABALHAVAM NA TERRA VIAM O CAFÉ COMO ALGO PROMISSOR PARA ELES OU COMO SÓ MAIS UMA FORMA DE EXPLORAÇÃO?
Sinta-se a vontade para trazer o seu posicionamento aqui nos comentários.
Obrigado e bom café.
* Para completar a discussão ouça o Podcast "Início do Ciclo do Café no
Brasil, Como se Deu?"
https://soundcloud.com/camila-geissler-476096965/inicio-do-ciclo-do-cafe-no-brasil-como-se-deu
https://soundcloud.com/camila-geissler-476096965/inicio-do-ciclo-do-cafe-no-brasil-como-se-deu
* LINK DA OBRA COMPLETA DE DAVATZ:
* LINK DO SITE OFICIAL DA FAZENDA IBICABA:


Cara blogueira Camila Geissler parabéns pela atividade de pesquisa correspondente à disciplina de Brasil Império...
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